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sábado, 21 de abril de 2012

Mais de 15 anos depois, visita de Michael Jackson ao Pelourinho ainda rende

O ano era 1996. Ao som dos batuques do Olodum, Michael Jackson hipnotizava a multidão que foi ao Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, para tentar chegar o mais perto possível do Rei do Pop. Ele cantou, dançou e interagiu com integrantes do grupo de percussão baiano, dando um show de simpatia, apesar de toda a excentricidade. Em dado momento, uma mulher conseguiu furar o bloqueio e abraçou o cantor, que foi ao chão. Levantou em seguida, cantando e dançando. O show tinha que continuar. Michael estava ali para gravar o videoclipe de "They don't care about us" (música do álbum "HIStory", de 1995), dirigido pelo cineasta norte-americano Spike Lee. Estamos em 2012. Largo do Pelourinho. Seu Carlos não sabe a letra e muito menos se arrisca a cantar a música que ouve todos os dias há quase três anos. Ainda assim, é capaz de, sem olhar para a televisão que exibe repetidamente o clipe gravado 16 anos antes, naquele local, descrever cada cena. "Agora vai aparecer o menino sozinho tocando tambor", acerta, na mosca. "Pronto, é agora que mostra ele aqui em cima, na varanda", volta a adivinhar. Em seguida, repete os passos do ídolo, sobe as escadas, e fica no mesmo lugar onde um dia esteve um dos artistas mais famosos de todos os tempos. Diariamente, vários clientes do comerciante Carlos Alberto, 48 anos, fazem o mesmo. São atraídos por cartazes com a foto de Michael Jackson vestindo a camisa do Olodum e pela música que vem de dentro da loja de número oito, cubículo pequeno e repleto de lembranças daquela visita. Seu Carlos começou a trabalhar ali em dezembro de 2008, quase seis meses antes do falecimento do cantor norte-americano, que ocorreu no dia 25 de junho de 2009. Não fosse a pergunta de uma cliente, Seu Carlos provavelmente seria mais um entre os centenas de lojistas que vendem souvenirs e produtos ligados aos próprio Pelourinho. IDEIA - "Um dia, antes dele morrer, uma mulher apareceu aqui e me perguntou se aquela era a varanda em que Michael havia gravado o clipe. Quando eu disse que sim, ela ficou muito animada e quis saber se era possível subir para tirar fotos. Disse até que compraria alguma coisa, se fosse preciso. Aquilo despertou em mim a ideia de transformar o espaço em uma loja temática", conta o comerciante. A decisão de colocar em prática o que havia pensado veio pouco depois da morte dele. Hoje, o local é conhecido por frequentadores como "Casa de Michael". Seu Carlos vende tudo o que encontra no mercado que pode ser relacionado ao clipe. Artigos como imãs, camisas, cadernos, miniaturas, DVDs, canetas, toalhas, chaveiros e até mesmo fotos do dia da gravação (cujos negativos são obtidos com afinco de garimpador e guardados a sete chaves) ficam expostos nas prateleiras do local. Como bom empreendedor, o comerciante está sempre correndo atrás de algo diferente, inédito. "Há alguns meses eu contratei um artista plástico para fazer uma forma de uma pequena escultura, personalizada. Vende bastante", comemora. O faturamento, segundo Carlos, aumentou depois da mudança. Os valores, ele diz não saber informar com precisão. Por incrível que pareça, mesmo já sendo morador do Pelourinho em 1996, Seu Carlos perdeu a oportunidade de ver o ídolo pop pessoalmente. "Como todo mundo aqui, eu fiquei com vontade de assistir às gravações, mas eu tive que ir trabalhar cedo naquele dia. Naquele tempo eu já era autônomo e tinha que levar comida para os meus filhos. Mas, no final das contas, com aquele alvoroço todo aqui, o movimento foi tão fraco que nem valeu a pena", lembra. Talvez como compensação, ele resolveu gravar o próprio "clipe". Ao longo dos últimos dois anos e meio, tem registrado com uma câmera amadora imagens de clientes durante a visita a um lugar onde Michael já esteve. Nos primeiros passos como diretor, já conseguiu captar momentos de muita emoção. "Vem gente de todos os países. Algumas pessoas mais fanáticas até choram quando chegam aqui", diz. E mostra, orgulhoso. fONTE

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