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sábado, 7 de janeiro de 2012

Forever King of Pop no Campo Pequeno: Trono vazio

O regresso do Rei deixou saudades mas do próprio habitante do trono, Michael Jackson, e não do espectáculo de uma companhia espanhola mecânica e com soul a menos.
Em Dia de Reis, a noite foi do Rei da Pop mas não se assustem os mais crentes no Além: o rei não ressuscitou. Continuamos sem saber se goza a reforma numa ilha do Pacífico, se se mudou para Marte a fim de evitar a visita dos credores ou se realmente faleceu antes de voltar aos palcos.

Um pouco mais a sério, a companhia espanhola que sintetiza a vida e obra do ícone está a milhas do que se imaginaria de um espectáculo de Michael Jackson e em vez de matar saudades por uma noite da lenda, só questiona a razão pela qual tem direito à única produção autorizada pela Fundação Michael Jackson.

Ouvir uma cantora dizer «objectives» num discurso contextualizador da missão social do artista foi uma facada mais profunda que qualquer uma das baladas melosas que marcaram a trajectória descendente da década de 90. A crónica inabilidade dos espanhóis para dominar outra língua que não sua esteve demasiado exposta para não se fazer notar.

Esse acabou por ser apenas um pormenor quando comparado com uma banda carente de groove e excessivamente metaleira, ainda por cima prejudicada por outro ritual do habitual: o débil som do Campo Pequeno. Há uma distância enorme entre quem toca com sentimento e músicos que apesar do virtuosismo e rigor, actuam de forma mecanizada.

Dos dois Michael Jacksons, um cantava melhor e o outro limitava-se a dançar mas valha a verdade, o melhor de Forever King of Pop são as coreografias e a própria produção cénica, apesar de alguns truques demasiado previsíveis para causarem suspense como um desaparecimento de palco através de uma boca que se abre.

O justo e merecido aplauso estaria guardado para Gabriel Sousa Ramos, de apenas oito anos, o jovem Michael Jackson encontrado através de um casting. Com a mesma idade, o «verdadeiro artista» já era, isso mesmo, mas o português a dançar assim já responde afirmativamente a quem lhe perguntar «achas que sabes dançar»?

mj_speechless

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