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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Defesa do médico de Michael Jackson tem tarefa difícil

A defesa no julgamento do médico de Michael Jackson vai dominar as atenções na próxima semana, e uma pergunta importante ainda não foi respondida: o Dr. Conrad Murray será chamado para depor?



Após três semanas de depoimentos em vários casos prejudiciais ao médico acusado de homicídio involuntário no caso da morte de Michael Jackson, especialistas dizem que a versão dos fatos apresentada por Murray é repleta de incoerências.

Depor pode ser arriscado, se Murray não explicar com clareza aos jurados por que não tinha equipamentos adequados à mão quando Jackson morreu e por que não revelou o uso feito da droga que acabou levando o cantor à morte.

“Se eu estivesse defendendo Murray, não o colocaria no banco das testemunhas. Acho que ele só iria apanhar”, disse o advogado de defesa de Beverly Hills, Mark McBride.

Michael Jackson morreu em 25 de junho de 2009, aos 50 anos de idade, de uma overdose do poderoso anestésico propofol e um coquetel de sedativos.

Os promotores precisam convencer os jurados de que Murray foi tão negligente no atendimento a Jackson que isso levou à morte do cantor, justamente quando ele se preparava para uma série de concertos em Londres. Se for condenado, o médico pode ser sentenciado a até quatro anos de prisão.

Murray admite ter dado a Jackson uma dose pequena de propofol depois de o cantor lhe ter suplicado o anestésico durante uma longa noite insone. Sua defesa diz que subsequentemente Michael Jackson se injetou uma dose extra, fatal, sem que Murray tivesse conhecimento disso. “O problema é que não há prova nenhuma de que Michael Jackson tenha feito isso. Não há impressões digitais. A não ser que a defesa tenha elementos que desconheço, isso não passa de teoria”, diz o advogado de defesa criminal de Los Angeles Steve Kron.

Perguntas difíceis

A expectativa é que a defesa de Murray convoque cerca de 22 testemunhas assim que a promotoria encerrar seus argumentos, o que pode acontecer já na segunda-feira.

As testemunhas da defesa devem incluir ex-pacientes do cardiologista, especialistas médicos e talvez o ex-cabeleireiro de Michael Jackson. Provavelmente vão descrever Murray como médico gentil e consciencioso e alegar que Michael Jackson era viciado em propofol e outros medicamentos, sendo um paciente difícil.

Mas Murray enfrenta perguntas difíceis levantadas nas três semanas de ataques impiedosos da promotoria. Para especialistas legais, a defesa terá que esclarecer: por que Murray aparentemente não informou os médicos da ambulância ou do hospital que tinha dado propofol ao cantor; por que, como foi alegado, tentou esconder frascos do anestésico quando os paramédicos chegaram para ajudar Michael Jackson; por quanto tempo Murray ficou fora do quarto de Michael Jackson naquela manhã, e por que estava usando propofol, medicamento normalmente restrito a pacientes que serão submetidos a cirurgias.

Segundo McBride, os depoimentos dados à promotoria, especialmente por dois especialistas médicos que criticaram o atendimento dado por Murray, foram “muito, muito prejudiciais”.

“Por mais que eu seja um advogado de defesa renitente, não estou otimista quanto às chances do doutor”, disse o advogado.

MJ_Speechless

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