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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Teorias da conspiração de Joe Jackson

Por: Patrícia Colombo, Revista Rolling Stones

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Joe Jackson fala sobre as supostas agressões a Michael Jackson, a semelhança de Prince Michael II com o pai e o complô que teria levado à morte do Rei do Pop; confira também bate-papo com Leonard Rowe, autor do livro “O Que Realmente Aconteceu A Michael Jackson”.



O cantor morreu em um triste 25 de junho de 2009 – menos de um mês antes de retornar aos palcos -, dando início a uma série de dúvidas sobre sua morte, principalmente por parte de sua família. Também por conta disso, Joe está atualmente no Brasil, junto ao produtor de shows (e amigo de longa data do clã Jackson) Leonard Rowe, para a divulgação do livro escrito por este, intitulado “O Que Realmente Aconteceu A Michael Jackson”, que chega às lojas do país nesta primeira semana de dezembro.
O Conrad Murray, médico responsável por aplicar a dose letal do anestésico Propofol em Michael Jackson antes de sua morte, é acusado por homicídio culposo e aguarda a conclusão de seu julgamento. No entanto, para Joe Jackson e Rowe, Murray foi apenas quem pagou o pato na história, já que a dupla sustenta que a morte do cantor foi na verdade o resultado de uma conspiração tramada pela produtora AEG (sobretudo pelo presidente da empresa, Randy Phillips) junto ao advogado hoje responsável pela administração do espólio de Jackson, John Branca (vale lembrar que a AEG foi a encarregada da realização da série de 50 apresentações que Michael faria em Londres em 2009, na O2 Arena, na temporada chamada This Is It).
“O Que Realmente Aconteceu A Michael Jackson” traça um paralelo entre o que Rowe afirma ser o lado “mau” da indústria do entretenimento e a história do cantor, sobretudo no que se refere aos seus últimos anos de vida. A explicação que o livro traz sustentando a citada conspiração conta com cópias de contratos, de cartas e do testamento de Michael Jackson (datado de 2002) – o qual Joe Jackson e Rowe alegam ser falso. Para eles, os envolvidos buscam sugar o patrimônio de Michael passando por cima de quem for.

Apesar de inúmeras vezes ser citado como oportunista por enriquecer valendo-se do talento de sua prole – com base, por exemplo, em treinos bastante rígidos (que foram comentados de forma dolorosa pelo próprio Michael Jackson anos mais tarde em muitas entrevistas) -, Joe Jackson nega que esteja atrás de dinheiro. Ele afirma, a todo o momento, que tanto a divulgação do livro quanto o interesse em uma investigação federal do caso desembocam em um único objetivo: o de fazer justiça.

Joe Jackson e Leonard Rowe receberam a reportagem da Rolling Stone Brasil nesta semana, no Mercure Grand Hotel, em São Paulo, para falar sobre O Que Realmente Aconteceu com Michael Jackson, papeladas, contratos, possíveis tramóias e como Blanket (Prince Michael Jackson II), o caçula de Michael, se assemelha ao cantor enquanto menino prodígio.

Leia a entrevista abaixo:

Rowe, por que você decidiu escrever O Que Realmente Aconteceu com Michael Jackson? Quanto tempo levou para o livro ficar pronto e como foi o processo de elaboração?

Leonard Rowe: Levei dois anos para escrevê-lo. Comecei antes mesmo de Michael morrer. O livro tratava sobre o lado malévolo da indústria do entretenimento. Quando estava no meio deste trabalho, Michael pediu que eu fosse à Califórnia para trabalhar com ele em algumas coisas. Durante aquela época, Michael morreu. Quando vi o que aconteceu com ele, coincidiu com o que estava escrevendo, porque sinto que foram as pessoas ruins da indústria do entretenimento que o destruíram.

Senhor Jackson, o que o fez se envolver no lançamento deste livro?

Joe Jackson: Muito do que há nesse livro envolve Michael Jackson. Estou trabalhando na divulgação, porque estou atrás de justiça.

O livro aponta a indústria do entretenimento, o ambiente ao qual ele estava submetido, como a responsável pela morte de Michael.
JJ: Não posso culpar o entretenimento, mas algumas pessoas que estiveram envolvidas nisso. Não a indústria toda. Por isso estou atrás de justiça. Houve conspiração e estamos tentando descobrir quanto disto ocorreu. E, havendo conspiração, estou procurando por justiça. Quero que a verdade seja dita e será dita por uma investigação federal.
E como Conrad Murray estaria envolvido nesta conspiração? Ele teria sido pago pela AEG, que é citada no livro como uma das envolvidas no caso?
JJ: Na verdade, Conrad Murray é apenas o bode expiatório. Michael não o estava pagando, mas havia outras pessoas fazendo isso, como a AEG. O que esse médico deu a Michael, independente do que foi, não deveria ter sido dado fora de um hospital. Como ele conseguiu isso não sabemos, é o que vamos descobrir com uma boa investigação.
Na época, vocês não sabiam que ele estava tomando determinados medicamentos na própria casa dele?

JJ: Não, não sabíamos nada sobre isso. Nós, da família, apenas tínhamos conhecimento de que ele tomava alguns remédios para dormir, sem riscos. Como ele estava cansado, o médico dava algo para que ele conseguisse relaxar.

Sobre a série de 50 shows que seria realizada em Londres, na O2 Arena: como foram as negociações?
JJ: Michael não aceitou fazer os 50 shows.
LR: Trabalho com isso há 35 anos. Você nunca coloca um show à venda sem que o artista assine o contrato para fazê-lo. Se Randy Phillips tinha um contrato assinado por Michael para fazer 50 shows, ele mostraria a todos que Michael Jackson havia feito um acordo com ele. Você já viu um contrato assinado por Michael aceitando os 50 shows? Eles não deveriam mostrar publicamente o contrato? Eles fizeram um ótimo trabalho distorcendo e fazendo com que as pessoas achassem que ele havia aceitado. Michael me disse que só havia concordado em fazer dez shows, mas que depois venderam 50. “Eu não conseguirei fazer 50 apresentações”, ele me falou, na época. Então, a pedido dele, fui atrás de Randy Phillips para esclarecer o que estava acontecendo e ele se recusou a me receber. Isso foi armado [o livro de Rowe traz uma cópia do contrato de Jackson com a AEG, e nele constam 31 apresentações. O autor comenta no material que, apesar de Jackson originalmente só ter aceitado fazer dez shows, este número foi aumentado na documentação. Também lá ele reforça que nenhum acordo de 50 apresentações foi firmado].

No livro, você ainda afirma que o testamento, que não inclui o senhor Jackson, é falso.

LR: Tudo nesse testamento é falso. Desde dizer que ele assinou aquilo, o que não aconteceu, até falar que ele assinou em Los Angeles, sendo que em julho de 2002 ele estava em Nova York. Os nomes das crianças não estão escritos de forma correta, e se você conhecesse Michael, como eu e como o senhor Jackson, saberia que ele nunca deixaria que nada estivesse errado, porque ele sabia no que isso poderia dar. Isso tudo combinado ao fato dele ter brigado com John Branca e ter dito que não queria nunca mais que nada seu estivesse relacionado a ele. Quem está cuidando do espólio? John Branca! Quando um artista morre, como John Lennon ou Elvis Presley, existe alguma produtora ainda envolvida com o espólio? Pois a AEG está, junto a John Branca. Algo está errado. Você sabia que a AEG aparece como beneficiária do seguro de vida de Michael Jackson? Eles não comentam nada porque querem que todos, incluindo o senhor Jackson e eu, deixemos isso de lado para que continuem roubando tudo o que Michael conquistou em sua vida. Michael tinha cópias de tudo e, quando ele morreu, não encontramos o testamento – logo só há uma cópia dele, a de Branca. Nos reunimos com seis advogados de família e todos chegaram a conclusão de que o testamento era falso.

Vocês sustentam que o motivo para tudo, do lançamento do livro à investigação federal, é a busca pela justiça, mas muitos enxergam isto como, na verdade, uma busca por dinheiro…

LR: Já ouvi tanto que o senhor Jackson está querendo lucrar à custa da morte de Michael. Por que você não dá uma olhada para ver quem está lucrando mesmo?

JJ:[interrompendo] Olha, não estou interessado… Estou aqui pela justiça

LR: E, além disso, quem está lucrando com relação aos bens de Elvis Presley? Lisa Marie e sua mãe. E o John Lennon? A Yoko Ono! É a família que deve receber esse dinheiro. Se eu tivesse um filho que tivesse construído um império e, de alguma forma, ele morresse, quem deveria ficar com isso? Ninguém sai por aí falando que a Lisa Marie está lucrando à custa do pai ou Priscilla à custa de Elvis. Elas têm direito a isso. É o que digo, estão querendo confundir a cabeça do público para possam ficar com o dinheiro dos Jacksons. São pessoas como John Branca que estão lucrando.

JJ: E me chamam de ganancioso [risos].
Muito se fala do massacre da mídia e da indústria do entretenimento em relação a Michael Jackson. Mas não há também uma outra parte da história, relacionada à criação dele, à perda da infância e ao fato de possivelmente ele não possuir uma estrutura emocional para lidar com todas as pressões inerentes ao sucesso?

JJ: Isso é coisa da mídia, que distorceu tudo. Michael teve uma infância maravilhosa, com seus irmãos e irmãs. Fazíamos piqueniques, íamos pescar. Isso é infância. Ele era proibido de andar com quem não fosse boa influência. Foi assim que criei meus filhos e eles nunca estiveram envolvidos com drogas, foram presos ou coisas do tipo. Eu trabalhava em dois empregos e os coloquei no show business… A mídia está errada.

Só que esses problemas não foram criações da mídia, mas coisas que ele mesmo falou em diversas entrevistas.

JJ: Eu sei do que você está falando, que ele disse que não teve infância. Então, ele não sabe o que teve. Estou dizendo. Ele teve sua infância com seus irmãos e esteve com sua família. Não quero que você distorça tudo. Quero que você seja justa.

Mas muitos atribuem alguns problemas que Michael teve em sua vida a você. Ele mesmo comentava sobre a relação difícil, sobre agressões…
JJ: Pense no que enfrentei ao criar aquelas crianças… Naquela época, pais deixavam suas famílias, suas esposas com as crianças para serem sustentadas, e cheias de contas para pagar. Isto não aconteceu com os Jacksons. Estive ao lado deles e os criei. Quando as crianças são menores, você é o responsável por elas até que completem 21 anos.
LR: Esta pergunta aparece em todas as entrevistas que damos e isto é uma coisa que não entendo. O que nunca nos perguntam é como as pessoas que controlam a indústria musical tentaram ao máximo roubar a família deles por anos. Ele teve que enfrentar este mal, de pessoas chegando e falando: “Seu pai não é bom para você. Nós somos”. Quando eu conheci os Jacksons, há 30 anos, eles [ as pessoas que controlam a indústria musical] já faziam isso – e fizeram até a morte de Michael. Sempre tentando roubar sua família e mantê-la dividida. E Joe teve que enfrentar tudo isso para mantê-los unidos, e fez um ótimo trabalho. As pessoas ao redor do mundo deveriam tirar o chapéu e aplaudir isto. Alguns pais fugiriam porque as pessoas da indústria são poderosas, mas ele teve coragem para se manter erguido e lutar por sua família. Ele não criou artistas, criou superastros, como Michael Jackson, Janet, o Jackson 5. E eu cresci em um bairro no qual todos nós apanhávamos, não só em casa como na escola, dos professores. Mas aí distorcem e falam: “Você bateu nele!”. Isso fazia parte e, quando eu cresci, agradeci pelas palmadas que levei, porque eu não seria a pessoa que sou hoje sem isso. Eles fazem isso [comentar as agressões de Joe Jackson a Michael] para que as pessoas não tenham pena do senhor Jackson quando roubarem todo o dinheiro de sua família.

No livro é comentado que Katherine, a mãe de Michael, negou ajuda a ele quando, em 2007, ele não estava bem de saúde. Em 2009, quando a condição dele piorou, ela também teria sido procurada por você e não quis ajudar. Mas Michael sempre disse que tinha uma relação especial com sua mãe.

LR: Muitas mães ficam intimidadas em invadir a privacidade de seus filhos. Sei que Katherine o ama tanto quanto qualquer pai ou mãe ama seu filho, mas sinto que ela ficava intimidada em invadir a privacidade de Michael. Bom, eu e Joe achamos que tínhamos, sim, que invadir sua privacidade.
JJ: Fui eu que disse a Katherine para que ela o visitasse e ficasse com ele antes de ele falecer. Falei: “Katherine, vá até Michael e fique com ele porque com a mãe por perto ele se sentirá muito melhor”. Ela não foi por medo de invadir a privacidade dele. Eu não ligo para isso, porque percebi que ele estava com problemas.
Há muitos comentários negativos a respeito do lançamento de Michael, o álbum póstumo de Michael Jackson. Randy Jackson reclamou, Quincy Jones reclamou. Qual a sua opinião sobre o disco, senhor Jackson?
JJ: O que ouvi dizer é que colocaram a voz de Michael em algumas partes das canções, mas ainda não escutei o álbum.

É verdade que você enxerga em Blanket o novo Michael Jackson?



JJ: Eu vejo as mesmas coisas em Blanket que eu via em Michael quando ele era pequeno. Blanket tem algo a mais. Dança e canta. Chamamos ele de Little King (“Pequeno Rei”, em inglês).

Qual característica da personalidade de Michael esteve presente desde a infância até a morte do astro?

JJ: Desde que entrou para este meio, Michael sempre foi muito perfeccionista, o que o ajudou a se tornar a estrela que todos conhecem. Uma coisa que eu acho que as pessoas nunca viram é ele sapateando. Todos assistiram ao moonwalk e outros passos, mas nunca o viram sapatear, e ele fazia isso muito bem. Ele era tão bom quanto Fred Astaire.

Fonte: MJ_Speechless

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