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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Notícias dos mineiros - A influência de Michael em Minas Gerais

Obra e atitude de Michael influenciam várias gerações de artistas de Minas

Janaina Cunha Melo - Estado de Minas

A morte de Michael Jackson deixou um rastro de tristeza em todo o mundo. Mas, para algumas pessoas, a perda, embora grande, se equilibra com a presença permanente do ídolo em suas vidas. É o caso de DJs, bailarinos de rua, músicos, performers, b.boys e MCs que tiveram suas existências mudadas para sempre pela influência da arte do criador de Thriller.

Em Minas Gerais, a marca de Jackson é forte no Triângulo Mineiro, um dos maiores redutos da street dance no Brasil, e na periferia de Belo Horizonte, onde os bailes mudaram de vez com a batida do cantor, conquistando em seguida toda a cidade.

Orgulho da cultura negra, que vê no artista um desbravador, a cena hip hop reconhece que não seria a mesma sem o cantor. Seu legado, para os artistas de várias gerações, ainda pulsa e aponta para conquistas estéticas e sociais mais profundas. É neste sentido que Michael Jackson está vivo.

Wilson Aparecido Viana era adolescente quando ouviu pela primeira vez uma música de Michael Jackson. Ele não tinha televisor em casa, mas era convidado pelos amigos do bairro para assistir aos clipes do artista negro norte-americano, que anos depois seria imortalizado como o Rei do Pop. Diretor do grupo de street dance Black White Boys, hoje com 40 anos e conhecido por todos na cena hip hop mineira como Paizão, ele lamenta a morte do ídolo. Assim como James Brown, diz o professor, Michael influenciou a juventude negra mundial de forma definitiva.

“Ele nos colocou na mídia e fez todo mundo dançar nas ruas. Seu estilo era tão contagiante que ninguém conseguia ficar parado. Até hoje, muita gente se inspira nele e será sempre assim”, afirma. Herdeiro das ideias do pai, o pequeno Wilson Jesuíno do Nascimento Viana, filho de Paizão, que integra o grupo de dança de rua, concorda. Com apenas 8 anos, ele conta que ficou triste quando ficou sabendo da morte do artista. “Minha irmã fica com medo, mas eu gosto quando ele dança como um monstro. Um dia, quero dançar como ele”, diz o menino, que inúmeras vezes assistiu às sequências de Thriller, com ânsia de entender como aqueles movimentos possíveis.

Cubano
Para Ruben Santillana, músico cubano radicado em Belo Horizonte, Michael Jackson foi fonte de inspiração dos primeiros passos, ainda em Havana, quando as festas promovidas por seu pai eram embaladas por hits e canções dos Jackson Five. “Por causa dele comecei a ter interesse pela street dance. Aparecia nas reuniões da família, ainda pequeno, para mostrar meus primeiros passos. Tudo era marcante, a forma de cantar e dançar, a maneira muito particular e cheia de personalidade de ele se expressar. Ele foi um precursor e tem influência direta sobre o meu trabalho”, comenta Cubanito, DJ e percussionista da banda Black Sonora. A morte prematura do ídolo foi tema de conversas pela internet com outros integrantes do grupo mineiro, que faz tributo a Tim Maia, fundindo elementos da música negra brasileira e latino-americana com referências da soul music. “A morte de Michael Jackson foi um golpe para a cultura. O que nos anima é saber que sua obra continuará viva na alma de todos, sem distinção.”

O b.boy Wesley Antônio Tibúrcio, de 19 anos, concorda com Cubanito. Para ele, ainda que o artista não tenha se dedicado diretamente à cultura hip hop, ele foi “o inventor” de uma maneira incomparável de lidar com o corpo como se não existissem limites. “Ele nos deixa essa herança essencial. Não haverá outro igual”, comenta. O amigo Willian Santos Almeida, também b.boy, reforça: “Não existe comparação para o que ele fazia”.



Integrante da Família de Rua, coletivo idealizador do Duelo de MCs, todas as sextas-feiras em frente à Serraria Souza Pinto, Pedro Carlos Valentim, de 25 anos, lembra que seu primeiro contato com a obra de Michael Jackson também foi cedo, quando criança. Naquele tempo, ele ainda não sabia que a admiração que sentia pelo artista era consequência da maneira inusitada como o cantor e dançarino demarcava território na história da arte. “Tudo o que aconteceu depois, tanto no pop como na black music e no hip hop, tem influência dele, ainda que indiretamente. Michael tem papel importante para várias gerações, de artistas e de fãs. Não é preciso ser b.boy ou rapper para reconhecer isso. Ele foi um desbravador”, resume o produtor e jornalista.

Referência
A trajetória do menino pobre, de periferia, que conquistou fama e fortuna com estilo sem concessões é dado importante para a MC Zaica dos Santos, de 21 anos. Rapper do grupo Ideologia Feminina, ela tem voz privilegiada, atua como convidada em diversos outros grupos mineiros e, entre outras ocupações, é especialista em penteados afros. “É muito importante ter essa referência de alguém que conseguiu, que se destacou e foi respeitado num país onde o racismo era e continua sendo evidente”, afirma.

Ela lembra que as reuniões familiares na casa da avó Dagmar quase sempre tinham a trilha sonora de Michael Jackson – uma unanimidade entre crianças, jovens e adultos. Com as primas, Zaica ensaiava passos e aos poucos descobria algo novo, que seria essencial para a sua formação, também intuitiva, como artista. Para ela, o título de Rei do Pop reduz a importância de Michael Jackson, uma vez que sua obra também influencia o rock, a MPB e a canção. “É muito difícil existir alguém que não conheça pelo menos uma música dele, e isso independe de gênero.”

Fonte: http://mjneverland.ptforuns.com/viewtopic.php?f=10&t=1964

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